Um "viva" para o TP! Aliás, todas os "vivas" para ele!! Já falei sobre o teleprompter em outro post aqui.
O TP é essencial para um telejornal. Sem ele, o jornal até vai ao ar, mas não fica lá essas coisas. Querem ver??
Esse foi meu último dia apresentando. Pra encerrar a participação com chave de ouro, o TP não funcionou. Resultado: decoramos quase tudo. Até a escalada, que nesse dia foi ao vivo. Escalada são as manchetes do início do jornal, aquelas frases curtas que os apresentadores falam para anunciar o que vai ter naquela edição. Isso normalmente é gravado, até para que se use imagens das matérias que estamos "anunciando" e fique mais dinâmico.
Mas foi tudo na raça mesmo... Resultado, a cada VT que rodava, ficávamos decorando o que chamaríamos em seguida... Nunca foi tão bom dar um BOA NOITE ao final do jornal. Conseguimos!Abaixo, o vídeo de parte da decoreba! =)
Há alguns anos eu não ia pra bancada. Desde que sai de Maceió, em 2009. Foi uma ótima experiência. Qual eu prefiro?? São diferentes! É interessante passar alguns dias sem se preocupar se chove ou se faz sol (porque você vai ficar no ar condicionado mesmo kkkkk). Mas a rua me dá prazeres impossíveis de serem encontrados na redação. Gosto dos dois!
E quem não trabalha em televisão adooora saber dos bastidores, perguntar como funciona... Pois bem! Esse post vai esclarecer o que acontece dentro do estúdio na hora do break. Pra quem é da área, isso não tem nada demais, até porque vira rotina, fazer aquilo todos os dias: combinar pra qual câmera olhar, fazer comentários "improvisados", mas "combinados" minutos antes, trocar, diminuir ou aumentar as falas (chamadas de cabeças).... E apenas um intervalo de alguns minutos pra fazer tudo isso! Not easy, baby!
Tem hora que você não sabe o que perguntar. Tem muuuitas horas em que isso acontece!
Como por exemplo no dia em que o lutador de MMA se encontra com o governador só pra "fazer a média" e agradecer o patrocínio no evento de luta. O que eu ia escrever? Pior, o que perguntar para ter sobre o que escrever? Não tinha nenhuma informação sobre a luta ou o evento. Então pedi ajuda a um colega, que falou que faria perguntas.
Na hora "H", onde estava a criatura? Me vejo eu, a produtora que grava pro governador (e não faz perguntas) e um microfone de outra emissora sendo segurado pelo auxiliar. Normalmente quando isso acontece, só pergunta o repórter. Ou seja, eu era a única repórter de TV e eu portanto teria que fazer as perguntas. Um outro jornalista segurava um gravador. Deveria ser de jornal impresso, mas não fez menção de que começaria a coletiva. Pois bem. Comecei eu né? Nem lembro o que perguntei pro lutador, sei que o tal repórter com o gravador me salvou depois e fez mais perguntas sobre o esporte e o histórico do atleta. Na hora do governador, perguntei primeiro o básico sobre "porque apoiar um evento como esse". Depois pensei: "quer saber?" Vou descontrair esse negócio! E tá aí o que saiu! Rsrs Assistam:
Aproveitando a deixa sobre perguntas... Um outro dia, fazia a matéria de um homem que foi rendido e teve o carro roubado. Na hora da entrevista, todos ansiosos pra entender o caso e arrancar alguma declaração interessante, eis que vem a pérola:
Repórter X: Você sentiu medo?
A vítima: O que você acha?
Ahh vá... Gente!! Não seria melhor perguntar: "o que o senhor sentiu na hora?". Resposta: "senti medo, achei que fosse morrer, quis sair correndo!". Ficaria melhor pra todos, não?
Se o diálogo fosse com seu Lunga:
Repórter X: sentiu medo?
Seu Lunga de vítima: Não. Adoro ter uma arma apontada pra minha cabeça. Você não?
(clique para aumentar)
- O senhor fuma charuto?
- Não senhora. É que eu estou treinando pra pai de santo!
Ter feito a cobertura do velório de Niemeyer foi marcante pra mim. Morando em Brasília passo por obras do arquiteto a todo momento - quando não estou nelas! Um privilégio. Agradando ou não, o que ele fez não passa despercebido. Mas esquecendo os traços e passando pra notícia.... O jornalismo, por muitas vezes, é frio. A cada internação do homem (foram inúmeras), a redação se preparava para a morte. Porém logo vinham as manchetes:
"Saúde de Niemeyer tem 'franca melhora" Estadão
"Niemeyer melhora e pode ter alta" brasil247
"Médico diz que Oscar Niemeyer apresenta melhora, está lúcido e pergunta sobre projetos" UOL
Incansável e invejável! Mas como uma hora ele ia ter que nos deixar.... Começamos nós, jornalistas, a preparar a "gaveta" (como chamamos as matérias que NÃO vão ao ar imediatamente). Fiz, há um mês, a matéria sobre a Torre Digital, última obra em que ele se envolveu diretamente. O material foi pra gaveta póstuma (o póstuma é por minha conta). A matéria só entraria quando Niemeyer morresse. Infelizmente (mas "enfim", pensaram muitos)aconteceu. Abaixo tem as entradas que fiz ao vivo no jornal durante o velório e a tal matéria feita um mês antes da morte do arquiteto.
Aproveitei que a imprensa podia "furar a fila" e passei ao lado do caixão. Isso prefiro não comentar.... Realmente é bom lembrar sempre da pessoa em vida.
Vamos ao clichê final: vivi ou não vivi um momento histórico? ;)
Até quando vale a pena se arriscar? Apesar de correr riscos todos os dias (nos metemos em muitas frias!), não é recorrente me perguntar sobre até que ponto vale se envolver numa reportagem. Se fizesse isso, teria que mudar de profissão. Lidamos com gente doente, se preciso estamos em locais contaminados, entrevistamos bandidos, vamos pro meio de rodovias... isso me lembra o caso da equipe do SBT que foi atropelada no meio desse ano.
Motorista atropela equipe de reportagem de TV na 206 Sul, no DF
Aí vocês me perguntam: e você não cobriria uma guerra? Uma das coberturas mais almejadas por jornalistas? Isso é algo muito distante das minhas pautas. Quando sei de jornalistas mortos em guerra me assusto.
Jornalistas mortos desde o início da revolta na síria
Prefiro não pensar agora se teria coragem. Um dia, quem sabe, terei maturidade para tanto. Mas a matéria abaixo me fez parar pra pensar um pouco sobre o assunto.
Matéria na página do SBT Brasil http://www.sbt.com.br/jornalismo/noticias/26501/Homem-e-flagrado-agredindo-o-porteiro-do-condominio-onde-mora.html
O cara tem um histórico fenomenal na prática de crimes e confusões. Acho que ele não faz outra coisa na vida, a não ser "tocar o terror". No dia anterior, quando peguei o caso, fiquei com medo até de falar com ele por telefone (a conversa seria gravada e eu teria que aparecer), porque ele ligou na TV fazendo ameaças. No dia seguinte, como repercutimos mais ainda o assunto, onde eu fui bater? Literalmente fui bater na porta da casa do homem. O cinegrafista que estava comigo ainda teve coragem de dizer que tava rezando pro cara avançar e assim meter a bateria da câmera na cabeça dele! kkkkkkkkkkkk
Doido com doido se entende né? Só que eu tenho a mente sã e era em mim que ele ia avançar! Ou na equipe inteira, sei lá! Bem, Deus tem estado comigo sempre, inclusive nas pautas! Passamos por alguns sufocos. Em nome de quê? Do bom jornalismo? Do reconhecimento? Espero que valha a pena sempre!
Acho que uma boa reportagem é sinônimo de competência, sim. Mas também é preciso contar com a sorte. Nesse caso, (além da competência - e modéstia rsrs) eu tive a sorte de conseguir sonoras divertidas. Quando a dona Zirsa disse em off a frase que ela fala no final do VT, falei: a senhora vai repetir isso quando estiver gravando! E ela repetiu e eu encerrei com a melhor tirada dos últimos tempos. "Deus é tão generoso que quando ele dá as rugas, tira a visão..." O restante da frase? Vão ter que assistir!
Por conta da pressa - fizemos esse VT muito rápido - não deu pra fazer tudo que queria. Principalmente não deu pra pegar uma cena do dançarino ajudando uma das senhoras a calçar o sapato, já que a questão da visão é realmente um problema! rsrs
É difícil enxergar o furinho pra encaixar a fivela, uai! E os Caras ajudam as Coroas nesses detalhes: uma fofura!
Estar repórter é lidar com o inesperado. A surpresa pode aparecer entre uma marcação e outra, com água que mina da rocha e sai de um cano no meio do caminho (entre o Varjão e o Paranoá, perto da prainha do Lago Norte). Tem surpresa melhor do que essa? Nós estávamos sedentos, sob aquele sol rachando, em meio à seca do Cerrado.
Neri (cinegrafista),
Carlinhos (auxiliar)
e eu nos esbaldamos.
Eu fui a última. Primeiro observei (sei lá, vai que... né? rs). E não é que a água era geladinha e cristalina??? Uma benção em forma de líquido!
Havíamos terminado de fazer a matéria abaixo, que coincidentemente envolvia água: a limpeza do Lago Paranoá.
A surpresa pode vir também da propaganda de motel nos fundos do ônibus. Que tal?
Mas a mais recente das surpresas e que mais me marcou está no VT abaixo. A matéria era sobre um senhor que desapareceu do hospital para onde foi levado após cair no meio da rua. Fizemos a reportagem com as duas filhas do velhinho. Elas fizeram o apelo, atenderam ligações de gente dizendo ter visto o desaparecido... E encerramos. Agradecemos. Fui ao banheiro - coisa rara pra quem trabalha na rua, então aproveitei a oportunidade. Quando estou lá dentro ouço só os gritos. E o choro. Encontraram o pai delas... morto.
Fiquei sem ação. Por um momento de egoísmo pensei: por que não ligaram 3 minutos mais tarde, quando já não estaríamos mais lá? Que situação delicada, as filhas inconsoláveis.... E a gente ali, "sobrando." Mas quis o destino que fosse assim. O que fazer? Abracei e tentamos ajudar.... Conseguimos dar carona pras duas até a delegacia, onde reconheceram os documentos do pai. Elas saíram do local quando nós também deixávamos a DP. E demos carona de volta até a casa delas. Tenho uma certeza: fomos até lá pra poder ajudá-las nessa locomoção. Era tanta dor.... pelo menos com o transporte elas não precisaram se preocupar. Ficaram tão gratas e nós nada fizemos, além do mínimo possível e esperado para aquela situação. Tão humildes em todos os sentidos do termo que ainda pediam desculpas pelo choro e pelo "incômodo". Uma triste surpresa acompanhada de uma feliz constatação: dar é sempre melhor do que receber.