quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Quando e quanto se arriscar?

     Até quando vale a pena se arriscar? Apesar de correr riscos todos os dias (nos metemos em muitas frias!), não é recorrente me perguntar sobre até que ponto vale se envolver numa reportagem. Se fizesse isso, teria que mudar de profissão. Lidamos com gente doente, se preciso estamos em locais contaminados, entrevistamos bandidos, vamos pro meio de rodovias... isso me lembra o caso da equipe do SBT que foi atropelada no meio desse ano.

Motorista atropela equipe de reportagem de TV na 206 Sul, no DF


http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2012/06/motorista-atropela-equipe-de-reportagem-de-tv-na-206-sul.html

    Aí vocês me perguntam: e você não cobriria uma guerra? Uma das coberturas mais almejadas por jornalistas? Isso é algo muito distante das minhas pautas. Quando sei de jornalistas mortos em guerra me assusto. 


Jornalistas mortos desde o início da revolta na síria


    Prefiro não pensar agora se teria coragem. Um dia, quem sabe, terei maturidade para tanto. Mas a matéria abaixo me fez parar pra pensar um pouco sobre o assunto.


Matéria na página do SBT Brasil

http://www.sbt.com.br/jornalismo/noticias/26501/Homem-e-flagrado-agredindo-o-porteiro-do-condominio-onde-mora.html

    O cara tem um histórico fenomenal na prática de crimes e confusões. Acho que ele não faz outra coisa na vida, a não ser "tocar o terror". No dia anterior, quando peguei o caso, fiquei com medo até de falar com ele por telefone (a conversa seria gravada e eu teria que aparecer), porque ele ligou na TV fazendo ameaças. No dia seguinte, como repercutimos mais ainda o assunto, onde eu fui bater? Literalmente fui bater na porta da casa do homem. O cinegrafista que estava comigo ainda teve coragem de dizer que tava rezando pro cara avançar e assim meter a bateria da câmera na cabeça dele! kkkkkkkkkkkk
Doido com doido se entende né? Só que eu tenho a mente sã e era em mim que ele ia avançar! Ou na equipe inteira, sei lá! Bem, Deus tem estado comigo sempre, inclusive nas pautas! Passamos por alguns sufocos. Em nome de quê? Do bom jornalismo? Do reconhecimento? Espero que valha a pena sempre!


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Te segura "Paulo Zulu"


    Acho que uma boa reportagem é sinônimo de competência, sim. Mas também é preciso contar com a sorte. Nesse caso, (além da competência - e modéstia rsrs) eu tive a sorte de conseguir sonoras divertidas. Quando a dona Zirsa disse em off a frase que ela fala no final do VT, falei: a senhora vai repetir isso quando estiver gravando! E ela repetiu e eu encerrei com a melhor tirada dos últimos tempos. "Deus é tão generoso que quando ele dá as rugas, tira a visão..." O restante da frase? Vão ter que assistir!
    Por conta da pressa - fizemos esse VT muito rápido - não deu pra fazer tudo que queria. Principalmente não deu pra pegar uma cena do dançarino ajudando uma das senhoras a calçar o sapato, já que a questão da visão é realmente um problema! rsrs
É difícil enxergar o furinho pra encaixar a fivela, uai! E os Caras ajudam as Coroas nesses detalhes: uma fofura!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Surpresas da "pauta nossa de cada dia"

    Estar repórter é lidar com o inesperado. A surpresa pode aparecer entre uma marcação e outra, com água que mina da rocha e sai de um cano no meio do caminho (entre o Varjão e o Paranoá, perto da prainha do Lago Norte). Tem surpresa melhor do que essa? Nós estávamos sedentos, sob aquele sol rachando, em meio à seca do Cerrado. 

Neri (cinegrafista),  

Carlinhos (auxiliar)  

e eu nos esbaldamos. 

Eu fui a última. Primeiro observei (sei lá, vai que... né? rs). E não é que a água era geladinha e cristalina??? Uma benção em forma de líquido! 

Havíamos terminado de fazer a matéria abaixo, que coincidentemente envolvia água: a limpeza do Lago Paranoá.

 

A surpresa pode vir também da propaganda de motel nos fundos do ônibus. Que tal?


    Mas a mais recente das surpresas e que mais me marcou está no VT abaixo. A matéria era sobre um senhor que desapareceu do hospital para onde foi levado após cair no meio da rua. Fizemos a reportagem com as duas filhas do velhinho. Elas fizeram o apelo, atenderam ligações de gente dizendo ter visto o desaparecido... E encerramos. Agradecemos. Fui ao banheiro - coisa rara pra quem trabalha na rua, então aproveitei a oportunidade. Quando estou lá dentro ouço só os gritos. E o choro. Encontraram o pai delas... morto.


    Fiquei sem ação. Por um momento de egoísmo pensei: por que não ligaram 3 minutos  mais tarde, quando já não estaríamos mais lá? Que situação delicada, as filhas inconsoláveis.... E a gente ali, "sobrando." Mas quis o destino que fosse assim. O que fazer? Abracei e tentamos ajudar.... Conseguimos dar carona pras duas até a delegacia, onde reconheceram os documentos do pai. Elas saíram do local quando nós também deixávamos a DP. E demos carona de volta até a casa delas. Tenho uma certeza: fomos até lá pra poder ajudá-las nessa locomoção. Era tanta dor.... pelo menos com o transporte elas não precisaram se preocupar. Ficaram tão gratas e nós nada fizemos, além do mínimo possível e esperado para aquela situação. Tão humildes em todos os sentidos do termo que ainda pediam desculpas pelo choro e pelo "incômodo". Uma triste surpresa acompanhada de uma feliz constatação: dar é sempre melhor do que receber.




segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Os "foras" da dona Gracinha

 

     Que figura a dona Gracinha! Uma safoneira de primeira. Boa inclusive pra tirar jornalista de tempo. rsrs Já ouviram falar que criança e "velho" não têm nada a perder? Pois bem. Tirei a prova com esta nordestina.
     Como eu a achei uma graça, queria fazer um trocadilho (até óbvio demais) sobre a dona Gracinha ser uma gracinha. Aí lá vai eu perguntar: "Dona Gracinha, a senhora não acha que esse nome tem tudo a ver com o jeito da senhora? E lá me sai ela com essa: "você quer que eu diga que eu sou uma gracinha? Eu sou uma gracinha!!!". "Essa já deve ter sido entrevistada por muitos jornalistas", pensei.
     Depois lá estou eu lendo o texto da passagem pra decorar o que ia falar. "Lê isso direito menina". Oi?
Não resisti e perguntei se ela queria o microfone. Já estava achando que a safoneira sabia mais do que eu. Tudo isso em meio a risos de todos, inclusive meu, é claro!
     Por fim: "onde vai passar a matéria?". "No SBT dona Gracinha, aquele canal do patrão, o Silvio Santos. Mas não no programa do Silvio Santos, no jornal". "Eu sei menina, tá pensando que eu sou demente?" Oi?

 

 Parece até que ela é raceada com seu Lunga. 
Em tempo: 

Seu Lunga entrando em uma loja:

- Tem veneno pra rato?

A balconista responde:

- Tem! Vai levar?

Seu Lunga sentencia:

- Não, vou trazer os ratos pra comer aqui!!!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Tentando fazer poesia

    Já disse isso aqui antes: a cada estação seca, quando eles começam a florir, eu volto a admirá-los - os ipês! Daí fui fazer a primeira matéria desse ano sobre os incêndios. Encerrei o VT com eles e me atrevi a fazer poesia... rsrs Eh, não sei se é poesia, mas digamos que eu dei uma viajada no off final. =)

 


 "OS IPÊS SÃO OS ÚNICOS QUE PARECEM NÃO SOFRER COM A SECURA. COLORIDOS E EXIBIDOS CHAMAM A ATENÇÃO. ANA MARIA REGISTROU A EXUBERÂNCIA EM COR DE ROSA."


    Já que há mais de 2 meses não postava aqui, vamos por logo dois vts. E como o assunto é ousar, nesse vt há duas passagens (trecho em que o repórter aparece). Na segunda passagem eu gravei no que chamamos de "dois tempos". Na passagem em dois tempos escrevemos um texto e falamos até um certo ponto. Aí nesse ponto o cinegrafista muda de posição e pega o repórter falando de outro ângulo, que recomeça o texto de onde parou. Assistam para entender. 

    O vt é sobre um cobrador de ônibus que criou uma biblioteca e passou a levar os livros para o coletivo. Ahh no ar você não imagina, mas eu comecei o vt pelo final. Primeiro fui na biblioteca e depois no ônibus, mas a história é contada a partir do baú, como é chamado o busão pela galera do DF.





terça-feira, 22 de maio de 2012

Batendo ponto nas delegacias

    E na espera pela coletiva..... o cinegrafista de cabelo branco solta: vamos tirar uma foto pra por no face?! rsrsrs Coroa antenado, hein?!  Os dois de camisa azul e colete, à esquerda da foto, são da minha equipe: Neri com a câmera e Carlinhos agachado e com o microfone na mão.



     Imprensa reunida e depois começa a correria atrás do médico maluco, que leu uma carta e virou as costas, mas foi perseguido por nós, cheios de perguntas não respondidas.
     Assistam ao VT. O cara é tão pirado que o delegado falou que ele chegou a cursar direito pra encontrar uma brecha na lei pra voltar a ter no brasil a cirurgia de lobotomia: "(...) uma intervenção cirúrgica no cérebro, utilizada no passado em casos graves de esquizofrenia. A lobotomia foi uma técnica bárbara da psicocirurgia que não mais é usada".
    Fora que ele falava com um sotaque, no mínimo, esquisito. E como da porta da delegacia até o carro ele só repetia "o meu press release diz tudo", o bordão virou piada entre os jornalistas e passamos a tarde falando um pro outro: o press release diz tudo! kkkkkkkk
    Ah soube que um colega da imprensa, logo quando aconteceu o caso, ligou pra ele e o cidadão brasileiro começou a falar em inglês: sorry I don't speak portuguese. E quando o repórter falou em inglês ele desconversou negando ser quem era. 


    Eu queria chamá-lo de doido, mas me controlei e fui só no "dramático".  O vt entrou no SBT Brasil. É claro que com falas bem mais reduzidas. Televisão já é algo meio "superficial" e matéria nacional é mais "en passant" ainda. A edição capricha no corte das falas.   

(comparem com o vídeo acima e vejam o que digo sobre as falas reduzidas... rsrs)

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    Outra vez em delegacia, mas agora pra contar uma história inusitada. Uma Kombi furtada e encontrada após 25 anos. Será que o dono gostou da notícia? Eu sei que ele não queria nem gravar conosco. Você tá doida? Eu respondi: não, só to fazendo uma pergunta pro senhor gravar com a gente! Rum. Tem horas que dá muita vontade de ser desaforada. E eu sou. Bem, mas ele foi convencido!


    A história também entrou no nacional, só que mais curta, como sempre. O que gostei nesse VT foi da edição de imagem do jornal local. O melhor é o áudio ambiente (o que chamamos de "sobe som"). A fala era boa, o dono da Kombi velha dizia "vamos fechar pra ninguém roubar". Ele repetiu a frase duas vezes. Na primeira, o homem aparecia no vídeo (a imagem usada), mas a fala estava cortada, só dava pra entender o final. Na segunda, onde o áudio estava "inteiro", ele já estava fora do vídeo. Deram um jeito e usaram a imagem dele com o áudio onde ele não aparece e nem dá pra perceber que foi feita essa "cirurgia". Mais uma vez repito: tv é uma farsa! ;) 


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Cuspe e dentadura frouxa no plantão!

    Estava de plantão. Minha pauta era ir para o "Piscinão de Ramos" brasiliense, mais conhecido como piscinão do Lago Norte. Uma beleuzaaa!! É claro que saíram algumas presepadas no VT. Vejam:


    Depois que a matéria foi ao ar eu peguei o material bruto e salvei dois trechos marcantes para minha carreira rsrsrs. Agora assistam aos dois trechos cuidadosamente selecionados. O primero você vê "de cara" que o entrevistado é azuretado. Sem mencionar o fato de que ele cospe a maçã praticamente em cima do microfone. O segundo fez o favor de não usar fixadores corega. A chapa, como diriam meus conterrâneos ao falar de dentadura, descolou da boca dele. =S

 

Que tal? Eu mereço tanto?! Ó céus. 
Isso me lembra de um post em que falei sobre uma outra experiência minha com dentadura:

Será que essa bendita me persegue?! 
Ahhh hoje viu num outdoor uma foto exatamente como essa com o seguinte dizer: não afogue sua auto estima em um copo d'água!! Genteeeee é pra acabar de vez com a auto estima de qualquer um. Quanta sutileza!