Cortaram meu cabelo. Graças a um workshop que teve aqui em Brasília com cabeleireira/ maquiadora e um figurinista do SBT de São Paulo estou de novo visual. Outra estagiária e eu fomos as únicas corajosas entre as mulheres a deixar que passassem a tesoura. Alguns gostaram, outro não. Juan, meu digníssimo esposo, quando me viu fez: "Oxe! Fez o que no cabelo?". Como conheço a sutileza e delicadeza da criança, perguntei: "É um elogio esse espanto?". Ele falou que sim. rsrs
Já meus pais e minha irmã esperam que os fios cresçam logo! Eu gostei, mas acho que pode ficar melhor, por isso vou dar um repicada esse sábado com a minha cabeleireira... rsrs. Tenho que ousar e aproveitar que AINDA não sou famosa, certo? Quando isso acontecer, vocês sabem que qualquer fio fora do lugar vai virar notícia! hihihi
Toda vez que vejo um bom ar, lembro de um homicídio que cobri.
Não entenderam? Explico. Foi a cena mais inusitada pra se acontecer em uma delegacia ever! Não me perdoo até hoje por não estar com a minha câmera na mão nessa hora. Nunca pensei que aquele "simples homicídio" seria tão marcante. Era só mais um mesmo, até entrar na sala do delegado o assassino. Um morador de rua matou outro. A cachaça ajudou bastante. O crime foi na porta da delegacia. Lá estava o cara. Além de bêbado, ele fedia. Não sei como descrever, mas era algo muito além de uma suvaqueira inocente (rsrs), era insuperável, parecia cheetos podre com chulé, uma coisa asquerooooosa. O delegado já estava verde. Sentado na mesa dele e o cheirosinho atrás. O delegado ficava dizendo "pelo amor de Deus coloca esse pé mais pra trás". Até perceber que qualquer distância não surtiria efeito enquanto a criatura estivesse dentro do recinto, pediu a um agente alguma coisa, que eu só fui entender o que era quando o policial volta com um "Bom Ar" na mão. Colocaram bom ar de "cabo a rabo no meliante" (como costumam chamar). Tentem imaginar a cena. Toooome bom ar no sujeito! Daqui a pouco o delegado: "não adiantou nada, só fez separar o joio do trigo". A atmosfera estava agora incensada de bom ar e do fedor do elemento. Não termina aí.
O preso começou a se virar de lado, tentando esconder o rosto e disse pro delegado: "delegado, eu tô com vergonha, delegado, meu nariz tá escorrendo". kkkkkkkkkkkkkkkkkkk E agora? quam poderia nos defender?! O chapolin colorado não apareceu, mas o delegado pediu mais uma vez socorro ao agente (coitado!). Lá vem o cara cheio de lenço na mão, com aquela cara de "sou eu que vou ter que assoar o nariz do infeliz?". O delegado disse que ou o bandido passava por baixo das pernas as mãos que estavam algemadas pra trás ou sim, era ele que teria que fazer esse sacrifício - quase uma penitência.
A essa altura ninguém se aguentava de rir na sala, né? Mas uma coisa que ficou me martelando a cabeça: que degradação a daquele indivíduo por conta do álcool.. Ele dizia que morava na rua, mas que tinha família e casa pra onde ir. Será que algum familiar ainda o queria por perto?? Triste....
Mas vejamos pelo lado positivo e pensemos que, pelo menos na cadeia, ele terá acesso a um chuveiro.
Sei que quem assistiu a esse VT abaixo não faz ideia do quanto foi divertido fazê-lo.
Um outro que foi hilário também foi um crânio que mobilizou todo o aparato policial e no final do dia descobriram que foi tudo uma obra de arte de um tatuador que se dizia também "escultor". O VT abaixo foi do início do dia (não fui eu que fiz), quando ainda não se sabia quem tinha feito a armação. No jornal da noite, eu entrei no link (ao vivo) do jornal contando a história. Falei que "seria trágico se não fosse cômico". Já que apesar da brincadeira ter sido de mau gosto, toda a imprensa ficou boquiaberta na coletiva com o "engraçadinho".
Pior que ele (tatuado, alargador na orelha e cabelão - figuraça!), estava super sério, centrado... Disse que colocou restos de carne que não ia comer dentro de um crânio de resina que tinha em casa e enfeitou com os próprios cabelos. Fez sem a intenção de assustar, mas decidiu levar pro trabalho no dia seguinte e deixar no jardim - pobre do jardineiro. Ai ai ai.... Fez o que chamou de escultura e ainda disse que já tinha feito melhores. Dá pra acreditar? Claro que eu perguntei qual nota ele daria pra obra de arte. Ele refletiu um pouco e respondeu: 5! rsrsrs. A polícia deu nota ZERO né?
Somente há poucos meses percebi que repórter - mulher - sofre do mesmo mal: pés bronzeados. Tirei a dúvida com a Karen, também repórter do SBT aqui de Brasília. Olhem que graaaaça! Mas também não tem como ser diferente, a não ser que se use bota ou tênis. Sapatinhos bonitinhos vão sempre nos trazer esse mal.
Quando não for o sol, será a poeira, ou os dois juntos (o que é mais comum). O resultado é esse aí:
Tive que começar a colocar protetor solar onde? Pois é... Nunca pensei. Mas caso contrário, terei pés de galinha nos pés! kkkkkkkkkkkkkkkk
Essas fotos dão a entender que só uso o mesmo sapato.... rsrs
Realmente foi coincidência. Inclusive ontem estava com ele e fiz o quê? Um incêndio. No restaurante Oca da Tribo, onde a Michelle Obama esteve em março e assistiu a apresentações de capoeira. Muito lindo era o lugar, mas.... Como disse a dona do restaurante, vão ter que ser como fênix: renascer das cinzas!
(foto UOL)
E olha com qual sapato eu estava. Acho que ele não dá sorte.
Eu estava diante de uma família que chorava, há 2 meses, a morte de um filho. O jovem morto esteve no barco que naufragou no Lago Paranoá, no dia 22 de maio. Trabalhava como garçom, há 2 anos, no buffet que promovia a festa daquela noite e juntava dinheiro pra comprar a casa própria. Lá estavam pai, filho e 2 irmãos diante da embarcação encalhada na beira do lago. Como foi duro pra mim entrevistar essa família! Enquanto conversávamos, percebi como era sofrido pra eles estarem ali. Eu tive a coragem, ou cara de pau, ou frieza, de pedir que entrassem no barco. Enquanto conversávamos, disse a todos, mais de uma vez, como estava difícil pra mim ter que tocar num assunto tão doloroso.
Para o pai, muito gentil, era importante falar pra que as pessoas não esquecessem o caso - que ainda não apontou culpados. Somente o pai do rapaz e o filho órfão, de 9 anos, gravaram. Um dos irmãos da vítima nem sequer subiu no barco. Nem a voz dele eu ouvi. Apenas olhava. Ficava agachado perto do motor do barco e olhava. Ai que dor. Eles foram fortes.
O pai só se emocionou quando perguntei pra ele como foi entrar na embarcação. Ele disse que foi um pesadelo e que via o filho por toda a parte. O pequeno disse que costumava jogar futebol e video game com o pai. Perguntei quem fazia isso com ele agora e ele disse que ninguém. Foi o fim pra mim. Encerramos ali a entrevista. Deixei-os à vontade dizendo que poderiam ir, se preferissem, porque ainda íamos fazer mais algumas imagens. Mais uma vez, pedi desculpas pela situação. Quando eles saíram, não me controlei. Soluçava. Não acreditava que tive que fazer aquilo e "montar" toda aquela cena. Que gente forte e corajosa ir falar assim com a imprensa. E que função cruel a minha. Só fazia chorar e pensar em tamanha dor que sentiam.
Depois de vários minutos, não sei como, gravei a passagem - quando o repórter aparece. Esse VT ficou com 3 minutos e meio, mas tiveram que cortar 1 min por conta do tempo do jornal. Por isso, provelmente a versão que foi ao ar talvez não tenha passado tanta emoção assim.
Se pudesse, escolheria nunca mais passar por algo parecido. Mas essa profissão não me permite isso. Não sei se desejo ser mais forte, se desejo ser mais fria, se esse choro é sinal de pouco profissionalismo. Sei que doeu.
Ah que delícia o mundo rural: areia, insetos, barro, aromas pouco familiares.... À primeira vista, é isso que a gente enxerga:
À segunda vista, também! kkkkkkk
Como fui criada na praia, sou quase analfabeta quando se trata de hectares, núcleo rural, plantação... Não entendo do assunto, mas graças à minha profissão, deparo-me com esses desafios pela frente vez ou outra. rsrs
Há uns dias estive em Brazlândia: região administrativa do DF, a uns 50 km de Brasília. (O DF tem 30 regiões administrativas, a primeira é Brasília. Como o Distrito Federal não é estado, também não tem municípios, mas RAs: regiões administrativas). A agricultura nessa região de Brazlândia é bem forte: o DF é autossuficiente em hortifruticultura.
Enquanto gravava com duas agricultoras, os insetos, acho que uns mosquitinhos minúsculos, não me largavam. Descobri que o cheiro de cremes ou perfumes atraem as criaturas. Lição número 1: quando for pra roça, nada de ficar cheirosinha. Os que lidam com a terra têm a seu favor o fato de ficarem com o cheiro dos vegetais.
Quem já viu uma plantação de brócolis?? AMO brócolis! Mas confesso que vê-los no supermercado ou já no meu prato é mais, digamos, cômodo. E comer morango do pé? Não é pra qualquer um não.
Lição número 2: essas são coisas simples da vida que são um luxo.
Por andar "da lama ao luxo", não largo minha bota por NADA! Estou sempre prevenida.
Quando fui gravar essa passagem - momento em que o repórter aparece - tinha que pegar na cama de frango: a palha que forra o chão e forma a mistura de fezes e urina do frango. Agora me digam: como que eu ia pegar nessa nojeira? grhgrhgrh
Pedi pro caseiro uma cama de frango novinha, então percebam que a que eu ponho na mão tem cor mais clara que a que está ao redor porque ainda é só a palha. hihihi
Pensem no medo pra gravar essa passagem: agachava e ficava olhando pra trás pra os bichos não me bicarem! kkkkkkkkk Afff
Aí estou eu com minha botinha de novo. Não falei que não a largo por nada? Eu comprei depois de um dia em que entrei num colégio alagado com um tênis novo. Faz tempo que a chuva parou, mas a bota serve pra seca também, tudo depende da pauta! As fotos e o VT acima são a prova.
Depois desse tour pelo mundo rural, encerro com a lição número 3: continuo preferindo praia, camarão e água de coco. MAS tem um tal de turismo rural por aqui que tem chamado minha atenção. A região é bonita mesmo. Com direito à cachoeira e tudo mais: mosquitos e mato! kkkkkk Brincadeira! Quero mesmo fazer turismo rural! Vejam esse site que massa: http://ruralturdf.com.br/
Dá até pra esquecer os pequenos inconvenientes de estar tããããão perto da natureza....
Se eu contar o que tem no "achados e perdidos" de Brasília, vocês não vão acreditar. Vai além do possível, imaginável e publicável. Tanto que não deu pra mostrar TUDO. Digamos que tinha esse objeto X. A Williane, editora/apresentadora do jornal das 19h, queria que colocássemos na matéria o tal objeto e pediu que eu fizesse esse OFF a mais: "Teve gente que esqueceu objetos, digamos, bem pessoais". Como o resto da redação censurou a imagem, a frase entrou, mas o telespectador não viu a que me referia. Você, querido leitor, aquitem privilégios e, logo, vai desvendar o mistério. Preste atenção ao comentário da apresentadora quando termina a matéria!
A imagem que a Willi queria não entrou, mas ela não se conteve e falou essa "gracinha" no final... kkkkkkkkkkkkkkk
Fim do mistério sem tamanho. Quer dizer, melhor não falar em tamanho, né?
Leram o texto do VT da harpista no meu último post? Então confiram aqui a matéria. E abaixo aprendam sobre a arte de cortar palavras!
Que tal?? Espero que tenham gostado. Quem tiver paciência para comparar o OFF escrito do post anterior com o que acabei gravando pro VT, vai perceber que uma ou outra palavra foi cortada: seguindo a regra de que "escrever é a arte de cortar palavras". Fui buscar a autoria dessa frase no nosso amigo de todas as horas - google. Tem quem diga que seja Drummond, mas há controvérsias.
É o caso de um feirante de peixes num porto britânico.
"O homem chega à feira e lá encontra seu compadre, arrumando os peixes num imenso tabuleiro de madeira. Cumprimentam- se. O feirante está contente com o sucesso do seu modesto comércio. Entrou no negócio há poucos meses e já pôde até comprar um quadro-negro pra badalar seu produto.
Atrás do balcão, num quadro-negro, está a mensagem, escrita a giz, em letras caprichadas: HOJE VENDO PEIXE FRESCO. Pergunta, então, ao amigo e compadre:
- Você acrescentaria mais alguma coisa?
O compadre releu o anúncio. Discreto, elogiou a caligrafia. Como o outro insistisse, resolveu questionar. Perguntou ao feirante :
- Você já notou que todo o dia é sempre hoje? - E acrescentou: - Acho dispensável. Esta palavra está sobrando...
O feirante aceitou a ponderação: apagou o advérbio. O anúncio ficou mais enxuto. VENDO PEIXE FRESCO.
- Se o amigo me permite - tornou o visitante -, gostaria de saber se aqui nessa feira existe alguém dando peixe de graça. Que eu saiba, estamos numa feira. E feira é sinônimo de venda. Acho desnecessário o verbo. Se a banca fosse minha, sinceramente, eu apagaria o verbo.
O anúncio encurtou mais ainda: PEIXE FRESCO.
- Me diga uma coisa: Por que apregoar que o peixe é fresco? O que traz o freguês a uma feira, no cais do porto, é a certeza de que todo peixe, aqui, é fresco. Não há no mundo uma feira livre que venda peixe congelado...
E lá se foi também o adjetivo. Ficou o anúncio, reduzido a uma singela palavra: PEIXE.
Mas, por pouco tempo. O compadre pondera que não deixa de ser menosprezo à inteligência da clientela anunciar, em letras garrafais, que o produto aí exposto é peixe. Afinal, está na cara. Até mesmo um cego percebe, pelo cheiro, que o assunto, aqui, é pescado...
O substantivo foi apagado. O anúncio sumiu. O quadro-negro também. O feirante vendeu tudo. Não sobrou nem a sardinha do gato. E ainda aprendeu uma preciosa lição: escrever é cortar palavras."
Em TV essa regra tem que ser seguida à risca mesmo. O tempo é curto e é preciso dizer tudo em pouquíssimos minutos.